Do clipping da Andi
A sede do Tribunal de Contas de Pernambuco, em Recife, recebe, nesta quarta-feira (17), representantes dos Estados Unidos e Brasil, como agentes do FBI, membros do Ministério Público, do Judiciário e das polícias estaduais, para discutir um tema em comum entre os dois países: pornografia infantil. Esse é o primeiro congresso internacional desse tipo realizado na capital pernambucana. O encontro será um momento para buscar soluções. Também consta na pauta o turismo sexual cujas estatísticas ainda não correspondem ao total de ocorrências. Prova disso é que, entre janeiro de 2006 e março de 2009, por exemplo, só há registros de 20 casos de exploração sexual com fins lucrativos na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), número aquém da realidade. Segundo um estudo de Tatiana Landini, bacharel em Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP), apenas 10% dos casos de violência sexual contra meninas e meninos são praticados por pedófilos.
A assistente social Maria Luiza Duarte, do Coletivo Mulher Vida, concorda. “Muitos abusos acontecem em virtude de uma cultura que não pune, não inibe, e estimula o culto à beleza das meninas, aquelas sem as marcas do tempo”, destacou. Maria Luiza acredita que os números oficiais da GPCA são subnotificados, porque a violência sexual acontece principalmente dentro de casa. Ainda assim, são alarmantes, chamando a atenção para casos de atentado violento ao pudor, com 1.046 registros de janeiro de 2006 a março deste ano, e de abuso sexual com 578 ocorrências. Segundo o adido civil do FBI para o Brasil, David Brassanini, um dos destaques do congresso é a nova lei 11.829/2008, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e torna a punição contra os agressores mais rígida. “O Brasil teve um avanço enorme com essa lei aprovada em novembro. Hoje, a Polícia Federal Brasileira e o FBI são irmãos gêmeos no combate a esse tipo de crime", disse. |