Do clipping da Andi
Embora relatos de agressões físicas e verbais sejam frequentes e, muitas vezes, dramáticos, essa realidade nem sempre figura nas estatísticas oficiais. De acordo com o coordenador do Comissariado da Vara da Infância e da Juventude, Maurício Gonçalves, é "irrelevante" o número de processos relacionados ao assunto, atualmente, em andamento.
Na prática, isso quer dizer que poucos casos resultam na aplicação das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que a maior parte deles não ultrapassa os muros das instituições. Nessa "matemática" que não fecha, o saldo final é o aumento da sensação de impunidade, que funciona como combustível para o comportamento violento de alunos. “Seria importante ter uma equipe para orientar diretores em ocorrências como essas. Eles estão emocionalmente envolvidos, por isso é mais difícil lidar com a situação”, diz.
Conforme o Instrutor do Proerd, cabo Luiz Bento Filho, os educadores não são preparados para atuar em um contexto de violência. “A realidade vista na faculdade é diferente do que encontram nas escolas. Os professores se chocam. São excelentes profissionais, mas, muitas vezes, não sabem lidar com a impulsividade agressiva de um aluno em sala de aula”, ressalta.
Sem autoridade – Hoje os professores enfrentam, cada vez mais, a crise de autoridade, que acaba refletindo em prejuízos à saúde deles. Muitos têm calos nas cordas vocais, doenças psicológicas e outros problemas. A educadora Áurea Damasceno, de Belo Horizonte, conta que se sente dentro de uma “rebelião”. “Metade da turma passa o tempo todo conversando, pulando de cadeira em cadeira”, diz. Além da indisciplina, os docentes convivem com a violência dentro das classes. Vários casos envolvendo agressões de alunos contra os professores vêm sendo noticiados recentemente.
Pesquisa sobre convivência escolar, divulgada pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e a Secretaria de Educação do Distrito Federal, comprova que 67,6% dos educadores sentem que sua autoridade ficou mais fraca nos últimos anos. Foram ouvidos 1,3 mil profissionais da capital federal. Para a socióloga Miriam Abramovay, o retrato sintetiza a situação da maioria das escolas públicas do País. “Os professores se sentem numa panela de pressão”, afirma. Por outro lado, segundo Mirian Paura, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, as escolas não conseguiram acompanhar a evolução da tecnologia, que faz com que o aluno tenha acesso à informação fora do ambiente escolar. O resultado é que o ambiente escolar se torna desinteressante. Ainda assim, a violência é o que mais assusta, tornando tanto a educação quanto os docentes vítimas de um sistema educacional falido. |